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Do brincar à autonomia: psicomotricidade impulsiona desenvolvimento de crianças autistas na Rede Teia Agir
Data de Publicação: 23 de outubro de 2026
Crédito da Matéria: Lia Cardoso, Saavik Arguelles
Crédito das Fotos: Lia Cardoso e Arquivo/ Divulgação
Durante as sessões, circuitos motores, jogos e outros recursos lúdicos estimulam a coordenação motora, o equilíbrio e a consciência corporal
Correr, pular, equilibrar-se e brincar são atividades que fazem parte da infância, mas também representam importantes conquistas no desenvolvimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Na Rede Teia Agir, a psicomotricidade integra o acompanhamento multiprofissional oferecido às crianças e utiliza o movimento e as brincadeiras para estimular habilidades motoras, cognitivas e emocionais.
Durante as sessões, circuitos motores, jogos e outros recursos lúdicos são utilizados para trabalhar a coordenação motora, equilíbrio, consciência corporal e a interação social. De acordo com a psicomotricista da Rede Teia, Érica Joppert, os avanços observados durante o acompanhamento demonstram a importância da estimulação para o desenvolvimento infantil.
“A psicomotricidade trabalha não só a parte motora, mas também o cognitivo e o emocional. É muito perceptível a evolução das crianças. Aquelas que antes não conseguiam subir em um banco terapêutico hoje já realizam essa atividade de forma independente, sem precisar de suporte”, destacou.
O que diz a ciência
A importância do movimento na infância é respaldada pela ciência. Segundo a neuropsicóloga e diretora técnica da Rede Teia Agir, Nise Portela, estudos mostram que a atividade física regular é essencial nessa fase da vida, e que quanto maior a exposição a estímulos motores variados, maiores são os ganhos em atenção, linguagem, cognição e controle inibitório. Ela explica que, no caso do autismo, a psicomotricidade potencializa esses benefícios ao atuar de forma estruturada sobre as necessidades individuais de cada criança.
"A ciência já comprova que a atividade física regular é essencial na infância: quanto maior a exposição a estímulos motores variados, maiores são os ganhos em atenção, linguagem, cognição e controle inibitório. Como a psicomotricidade trabalha com atividades estruturadas para as lacunas individuais do autismo, esses benefícios se refletem na rotina e na independência do indivíduo", afirmou.
Avanços no dia a dia
Os resultados do acompanhamento também são percebidos pelas famílias. É o caso de Davi Lucca, de nove anos, que passou a demonstrar mais autonomia nas brincadeiras e nas atividades escolares. A tia do paciente, Maria José Pinheiro, conta que o sobrinho desenvolveu novas habilidades e hoje consegue realizar tarefas que antes exigiam maior auxílio.
“Ele evoluiu bastante. Antes, brincava muito com os bloquinhos, mas não sabia montar. Hoje consegue montar tudo muito rápido. Ele gosta de aviões e agora pega caixas de papelão, monta as peças, cola e faz o avião completo sozinho. A gente não precisa nem ajudar, porque ele mesmo quer fazer tudo”, relatou.
Participação das famílias
A importância da participação familiar vem sendo reforçada durante o projeto “Que Terapia é Essa?”, que proporciona aos pais e responsáveis a oportunidade de conhecer, na prática, as atividades desenvolvidas pela Rede Teia Agir.
Durante a vivência de psicomotricidade, os familiares participaram de jogos e circuitos motores utilizados nas sessões terapêuticas. Maria José participou da experiência e destacou a importância de levar os estímulos para a rotina familiar.
“Eu achei muito interessante. Participei dos jogos e do circuito. Em casa, a gente também trabalha com ele por meio de jogos e brincadeiras, sempre respeitando o tempo dele”, contou.
A psicomotricista Érica Joppert reforça que os estímulos podem continuar fora do ambiente terapêutico, por meio de atividades simples e acessíveis que incentivem o movimento e a participação das crianças.
“A gente sempre fala que brincar é coisa séria. Os pais podem utilizar recursos de baixo custo, como boliche, amarelinha e pula-corda. Também podem buscar atividades que as crianças gostem, como judô, natação ou balé. O importante é proporcionar oportunidades para que elas explorem os espaços e coloquem o corpo em movimento”, explicou.
Na Rede Teia Agir, o acompanhamento é realizado de forma individualizada, com estratégias definidas conforme as necessidades de cada criança e os objetivos estabelecidos em seu Plano Terapêutico Singular (PTS).